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Em delação, Edmar Santos detalha funcionamento de supostos esquemas de corrupção no governo do Rio - Editoriais - Band News FM

Política

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Em delação, Edmar Santos detalha funcionamento de supostos esquemas de corrupção no governo do Rio

A BandNews FM teve acesso a trechos dos depoimentos às Procuradoria Geral da República

Por Gustavo Sleman, às 17:20 - 12/03/2021

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Ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos durante depoimento (Foto: Reprodução)

Usados como base da ação que culminou no afastamento de Wilson Witzel do cargo de governador e também no processo contra o político, os relatos do ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos também trazem detalhes de como funcionavam supostos esquemas de corrupção dentro do governo do Rio.

A BandNews FM teve acesso a trechos da delação premiada de Edmar. Divididas em mais de 30 anexos, as falas mencionam outras esferas, como o Tribunal Regional do Trabalho e a Assembleia Legislativa.

Em um dos vídeos, o ex-secretário afirma que existiam três núcleos de poder em torno da gestão de Witzel: um do Pastor Everaldo, ex-presidente do PSC, partido de Witzel, outro do empresário Mário Peixoto e um terceiro ligado ao ex-jogador de futebol e empresário José Carlos de Melo. Segundo Edmar, os negócios eram específicos.

Em outro trecho, Edmar Santos conta como foi o processo de escolha para assumir a pasta. De acordo com o tenente-coronel da PM, existiam sondagens ao seu nome e ao de Fernando Ferry, que no futuro se tornaria responsável pela Secretária. Ainda degundo Edmar, Ferry não foi aprovado pelo empresário Edson Torres na época por possuir relação com políticos do PSL. Na ocasião, Torres disse que seria sócio do PSC junto com o Pastor Everaldo e buscava um nome aliado à sigla.

Após ser nomeado, Edmar foi comunicado por Edson Torres que precisaria fazer negócios na secretaria para gerar recursos para as campanhas do PSC.

O ex-secretário conta que negou o pedido diversas vezes, mas acabou aceitando apenas fazer "vista grossa" depois de Edson Torres revelar que o esquema passaria por uma captação de recursos para Victor Amaral Barroso. O suposto doleiro teria espaços de influência no governo como forma de recompensar doações feitas por ele para a campanha de Witzel. 

Ainda durante a colaboração, Edmar revelou a existência de um esquema de corrupção do Tribunal Regional do Trabalho. O depoimento, inclusive, serviu como base de operação que prendeu quatro magistrados. 

No depoimento, Edmar afirmou que o desembargador Marcos Pinto da Cruz, também detido, teria sido o responsável por articular um esquema para resolver passivos trabalhistas de organizações oociais com dívidas a receber do Governo do Estado em troca de vantagens indevidas.

Edmar e Pinto da Cruz foram apresentados por Wilson Witzel em uma reunião informal no Palácio Guanabara. Edmar Santos contou que ele ficou encarregado por captar as empresas com questões trabalhistas e levá-las a um advogada, no caso Eduarda Pinto da Cruz, irmã do desembargador. 

O TRT afastou os desembargadores do órgão presos. Os magistrados são acusados de receberem e pagarem vantagens indevidas em contratos com o governo do estado, em um esquema que movimentou mais de R$ 16 milhões. 

Com a determinação do Tribunal de Justiça do Rio, Edmar Santos deve ser ouvido novamente pelo Tribunal Especial Misto que julga o processo de impeachment de Wilson Witzel.

A defesa do Pastor Everaldo reitera que ele jamais fez parte de qualquer grupo criminoso, nunca teve cargo no Governo do Rio de Janeiro durante a gestão Witzel e suas empresas jamais prestaram serviços ao Executivo estadual. O pastor ressalta que é alvo de delação covarde e mentirosa e está preso desnecessariamente, uma vez que sempre esteve à disposição da Justiça.

A reportagem da BandNews FM tenta contato com as defesas dos demais citados.

Ouça a reportagem completa clicando no player de áudio.

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