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Em depoimento ao Tribunal Especial Misto, empresário diz que pagava propina para Edmar Santos - Editoriais - Band News FM

Justiça

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Em depoimento ao Tribunal Especial Misto, empresário diz que pagava propina para Edmar Santos

No interrogatório, Edson Torres também detalhou como era feita a divisão da propina paga em contratos assinados na Secretaria Estadual de Saúde

Por Ryan Lobo, às 14:13 - 13/01/2021 | Atualizado às 21:15 - 13/01/2021

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Edson Torres foi ouvindo nesta quarta-feira (13), no Tribunal Especial Misto (Foto: Ryan Lobo)

O Tribunal Especial Misto, que julga o processo de impeachment contra Wilson Witzel, nega o recurso da defesa do governador afastado que pedia a retomada da contagem do prazo para a conclusão do rito. A decisão foi tomada após votação entre membros do colegiado.

O tribunal vai considerar apenas o prazo de 180 dias para a conclusão do processo, definido na Constituição Federal e que termina no início de maio, e não o período de 120 dias previsto na lei do impeachment, que acabaria em março. Caso o prazo fosse retomado, Witzel poderia voltar a exercer o cargo de governador.

Os advogados do ex-juiz federal vão recorrer nos tribunais superiores porque entendem que o prazo não poderia ser suspenso.

Nesta quarta-feira (13), o Tribunal Especial Misto ouviu novas testemunhas do caso, entre elas o empresário Edson Torres, que revelou que pagava propina ao ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos.

Segundo ele, o pagamento ilegal teve início quando Edmar Santos era diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto.

Ainda durante a sessão, o empresário disse que teve participação importante na indicação do médico e tenente-coronel da Polícia Militar ao cargo de chefia da pasta de Saúde.

Torres fez outras revelações a respeito da ligação que tinha com Edmar. Segundo ele, o ex-secretário, antes da eleição do governador afastado, pretendia se tornar reitor da Uerj e deputado.

No interrogatório, o empresário também detalhou como era feita a divisão da propina paga em contratos assinados na Secretaria de Estado de Saúde. Segundo ele, entre 2019 e 2020, dos 100% arrecadados, 40% iam para o ex-presidente do PSC, o pastor Everaldo, e para a estrutura de governo.

Edson Torres afirmou que nesse período o esquema arrecadou cerca de R$ 55 milhões. Ele disse, no entanto, não saber se parte dessa verba iria para Witzel.

O empresário Edson Torres afirmou também que participou diretamente da campanha política do então candidato Wilson Witzel, tendo investido R$ 1 milhão. Ele disse que a ajuda acontecia antes mesmo de Witzel deixar o cargo de juiz federal.

O empresário afirmou que estava envolvido em um esquema de propina na Cedae, na época em que a companhia era presidida ainda por Jorge Briard. Depois, ele disse que influenciou a indicação de Hélio Cabral para a presidência da companhia.

O governador afastado Wilson Witzel ainda não foi ouvido. O Supremo Tribunal Federal determinou que Witzel só será ouvido quando a delação premiada de Edmar Santos se tornar pública.

Wilson Witzel foi afastado do cargo em agosto do ano passado, suspeito de envolvimento em um esquema de corrupção na área da saúde.

Ouça a reportagem completa clicando no player de áudio.

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