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Entrevista: escritor Steven Levitsky fala sobre a fragilidade dos sistemas democráticos - Editoriais - Band News FM

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Entrevista: escritor Steven Levitsky fala sobre a fragilidade dos sistemas democráticos

O autor de ‘Como as democracias morrem’ conversou com exclusividade com a BandNews FM

Por Luanna Bernardes, às 16:27 - 09/09/2019 | Atualizado em 16:28 - 09/09/2019

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Steven Levitsky participou do Café Literário na Bienal do Livro (Foto: Diuvlgação | Zahar Editora)

Autor do best seller 'Como as democracias morrem', o escritor Steven Levitsky conversou com exclusividade com a reportagem da Bandnews FM. O professor de ciência política de Harvard participou da Bienal do Livro, onde falou sobre a fragilidade dos sistemas democráticos. 

Levitsky explica que atualmente os colapsos democráticos ocorrem, na maioria das vezes, através de políticos eleitos e não com o uso da força para a tomada do poder.

“Democracias morrem de uma forma bem mais sutil atualmente. O golpe que o Brasil sofreu em 1964, com os militares assumindo o poder e o presidente sendo exilado, ocorre ocasionalmente no mundo, mas é muito raro. Não é dessa forma que as democracias morrem nos dias de hoje. Agora, quase sempre, presidentes e primeiros-ministros eleitos que matam a democracia, não generais. São os presidentes eleitos e os primeiros ministros que usam as instituições da democracia para subverter, enfraquecer e às vezes, matar a democracia. Foi isso que aconteceu na Venezuela, com Hugo Chaves, na Turquia, com Erdogan, Hungria, com Órban, e em vários outros países pelo mundo."

Para o cientista político Steven Levitsky explica porque muitas pessoas ainda apoiam a ditadura militar. 

“O Brasil vivenciou uma tempestade de crise, sobre governos democráticos. Uma das piores crises econômicas da história do Brasil moderno, ao mesmo tempo que o Brasil sofre com o que foi provavelmente o maior escândalo de corrupção na história da democracia ocidental. E acrescentando a essa crise, um problema muito sério com a violência, o que preocupa muitos cidadãos brasileiros. Essas duas coisas juntas apontam para um grande descontentamento com a democracia. Além disso, o a Ditadura Militar teve uma boa performance econômica, e apesar de ter sido uma ditadura horrível, o governo da Argentina sofreu com mais mortes. Os desrespeitos aos direitos humanos foram terríveis, mas não afetaram a maior parte das famílias brasileiras. O nível de tortura, de assassinatos foi alto, mas não tão alto como no governo de Pinochet, ou na Argentina. E por isso, infelizmente muitos brasileiros mais velhos olham para trás com uma certa nostalgia para os anos 60 e 70. Porque eles comparam uma comparam uma relativa boa performance militar com as dificuldades dos últimos anos". 

Steven Levitsky, no entanto, não acredita que a maior parte da população brasileira dê apoio a uma Ditadura Militar. 

"Eu não acho que o fato das pessoas falarem que apoiam uma Ditadura Militar signifique necessariamente que um grande número de brasileiros abraçaria um governo militar. Acho que se algum governo se tornar realmente autoritário, você verá uma verdadeira resposta contrária a isso. Como um pequeno exemplo: quando a prefeitura do Rio veio aqui na Bienal e tentou impor censura aqui, a reação na maior parte do Brasil foi contrária".

Steven Levitsky participou do Café Literário na Bienal do Livro, onde conversou com a historiadora Lilia Schawcz. O livro ‘Como as democracias morrem’ ficou entre os mais vendidos no ano passado no Brasil.

Ouça a entrevista realizada por Luanna Bernardes no player de áudio 

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