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Patrícia Amieiro ainda estava viva quando foi retirada de carro por PMs, diz testemunha - Editoriais - Band News FM

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Patrícia Amieiro ainda estava viva quando foi retirada de carro por PMs, diz testemunha

A informação foi dada com exclusividade à BandNews FM. O crime aconteceu há 12 anos, Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio

Por Carlos Briggs, às 09:29 - 11/09/2020 | Atualizado às 19:33 - 11/09/2020

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O crime aconteceu há 12 anos, na Zona Oeste do Rio (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A engenharia Patrícia Amieiro foi retirada do carro ainda com vida pelos policiais militares que fuzilaram o veículo da vítima. A afirmação é de uma testemunha chave do caso, que acompanhou parte da ação dos PMs e trouxe, com exclusividade à BandNews FM, novas informações sobre a dinâmica da morte da jovem, na época com 24 anos. O crime aconteceu há 12 anos, na Zona Oeste.

Em junho de 2008, a engenheira voltava para casa após sair de uma festa na Zona Sul do Rio. A Polícia Civil e o Ministério Público concluíram que o carro conduzido por Patrícia foi alvo de disparos depois de ter sido confundido com o veículo de um traficante.

Desde então, nenhuma testemunha havia aparecido. Nesta sexta-feira (11), um motorista de táxi, que afirma que estava atrás do carro de Patrícia Amieiro, no momento em que a vítima foi fuzilada, deu detalhes da dinâmica do crime. A identidade dele foi preservada.

De acordo com o relato, uma viatura começou a perseguir o carro da vítima no Elevado do Joá, que liga São Conrado, na Zona Sul, e a Barra da Tijuca. Mais a frente, dois policiais militares, em uma segunda viatura que ficava baseada na chegada ao bairro, abriram fogo contra o veículo da engenheira, que perdeu o controle da direção, bateu violentamente na mureta de proteção e capotou, ficando de cabeça para baixo.Tudo aconteceu entre 5h30 e 6 horas do dia 14 de junho.

patricia

O taxista parou poucos metros à frente e afirma ter visto os dois PMs que estavam na viatura parada na Barra, irem em direção da engenheira e tentarem tirar a vítima de dentro do carro, puxando a jovem pela janela do motorista. O taxista garantiu em três momentos da entrevista: Patrícia Amieiro ainda mexia os braços, como quem pede ajuda.

A declaração da testemunha chave bate com as informações dadas pelo delegado Marcos Reimão, que também esteve à frente da investigação do caso. O policial chegou a afirmar em juízo que o cinto de segurança do carro da engenheira estava travado e o banco do motorista reclinado. Para o delegado, esta constatação reforça ainda mais os indícios de que o corpo foi retirado do veículo.

Ao longo de mais de uma década, a defesa dos policiais militares foi mudando as versões dadas sobre o crime. Os PMs sustentam que o carro de Patrícia passou em alta velocidade e após despencar de um barranco, caiu no Canal de Marapendi. Os policiais tentam manter a alegação de que o corpo de quem conduzia o carro sumiu. Em alguns momentos da investigação, a defesa dos agentes ainda insinuou que a engenharia estava viva e no exterior.

Há exatos nove meses, a Justiça do Rio optou por condenar os policiais Marcos Paulo Nogueira Maranhão e Willian Luis do Nascimento por fraude processual, cuja pena é de três anos de prisão. A dupla foi absolvida das acusações de tentativa de homicídio. Já os PMs Fabio da Silveira Santana e Marcio de Oliveira Santos foram absolvidos.

Agora, a testemunha do crime quer ser ouvida pelo Ministério Público. O advogado da família de Patrícia afirma que os fatos novos são graves. Alexandre Dumas ainda garante que vai pedir a retomada do processo.

A testemunha afirmou que sempre teve medo de denunciar o que viu, mas que, após ouvir novamente informações sobre o crime na rádio, decidiu romper o silêncio. O taxista ainda pediu desculpas à família da engenheira Patrícia Amieiro por não ter tido coragem de denunciar os policiais antes.

Pai da engenheira, Celso Amieiro, disse que as informações são reveladoras e podem ajudar na solução do assassinato da filha.

Passados 12 anos da morte de Patrícia Amieiro, até hoje, o avô dela, Valdir Branco, de 89 anos, escreve poemas para a neta, todos os dias.

Ouça a reportagem completa clicando no player de áudio.

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