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Violência contra a mulher aumenta 3,8% durante a pandemia - Editoriais - Band News FM

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Violência contra a mulher aumenta 3,8% durante a pandemia

Neste 25 de novembro, a Organização das Nações Unidas no Brasil lançou a campanha nacional "Onde Você Está que Não me Vê?" para combater as agressões domésticas

Por Daniella Dias, às 09:53 - 25/11/2020 | Atualizado às 18:54 - 25/11/2020

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Os casos de feminicidio tiveram crescimento de 1,9% (Foto: Agência Brasil)

"O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles". A frase da filósofa e escritora francesa, Simone de Beauvoir pode ser usada quando falamos sobre o número de mulheres agredidas diariamente. Somente durante a pandemia as ligações para o 190 registradas por violência doméstica cresceram 3,8%.

Os números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública também apontam que no primeiro semestre de 2020, 5.374 mulheres a mais foram violentadas na comparação com o mesmo período do ano passado. Já os casos de feminicidio tiveram crescimento de 1,9% a mais este ano na comparação com 2019, com 648 mulheres mortas apenas por serem... Mulheres.

"Configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial."

O trecho da Lei Maria da Penha, sancionada há 14 anos, no entanto, é desrespeitado diariamente. Em casa ou nas ruas, mulheres continuam sendo vítimas de todos os tipos de violência. Como é o caso da atriz e ativista, Cristiane Machado.

E nem sempre a medida protetiva obtida por Cristiane e por outras mulheres é lembrada.

A defensora pública Flávia Nascimento diz que, em alguns casos, quando a mulher se separa do marido e precisa compartilhar a guarda do filho, o mecanismo de proteção não é levado em consideração.

Ainda de acordo com a defensora, a falta de segurança e o medo de perder a guarda dos filhos influencia para que elas não denunciem os abusos sofridos dentro de casa.

O Coletivo "Mulheres na Luta" atende cerca de 300 mães em todo o país. Integrante do projeto, Mary Moreira conta que se retratou da agressão sofrida pelo pai da filha, para que não perdesse a guarda da menina.

Por medo de continuar sofrendo violência e de perder a guarda dos filhos, algumas mulheres são acusadas nos tribunais de alienação parental - uma manipulação psicológica de uma criança para que ela rejeite pai, mãe ou outro membro da família.

A recepcionista Maíra Ferreira, de 40 anos, conta que, por ter depressão, o marido a afastou do filho quando a criança tinha apenas 1 ano e 2 meses. Três anos depois, ela ainda luta na Justiça para provar que possui condições psiquiátricas para dividir a guarda do menino.

Para celebrar o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, realizado neste 25 de novembro, a Organização das Nações Unidas no Brasil lançou a campanha nacional "Onde Você Está que Não me Vê?".

O movimento vai até 10 de dezembro. O objetivo é relembrar que além da emergência sanitária por causa da pandemia da Covid-19, uma outra silenciosa pandemia persiste no dia a dia feminino: a violência de gênero.

Ouça a reportagem completa clicando no player de áudio.

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