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'De Legado a Largado Olímpico': construções de legados para o Rio em 2016 estão fechadas ou não foram concluídas - Editoriais - Band News FM

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'De Legado a Largado Olímpico': construções de legados para o Rio em 2016 estão fechadas ou não foram concluídas

Cerca de 30% de estações do BRT prometidas estão fora de operação e a obra não finalizada da Linha 4 do Metrô já causou um prejuízo de R$ 4 bilhões

Por Carlos Briggs, às 08:40 - 21/07/2021

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A estação da Gávea não ficou pronta e agora coloca em risco prédios da região (Foto: Divulgação/Governo do RJ)

O carro chefe do chamado legado da candidatura, a mobilidade urbana, emperrou. De junho de 2012, quando o BRT foi inaugurado, para cá, 30% das estações prometidas estão fora de operação. O servidor público Marcus Bruno precisa dirigir por cerca de 4 quilômetros para pegar a empregada, caso contrário, ela faria o mesmo trajeto, a pé.

Das 134 estações da promessa olímpica, 42 estão fechadas, por vandalismo, dificuldade econômica ou queda no volume de passageiros.

Outro legado que não foi finalizado é a Linha 4 do Metrô. O prejuízo causado aos cofres públicos é de R$ 4 bilhões, valor considerado superfaturado pelo Tribunal de Contas do Estado. Ainda assim, a estação da Gávea não ficou pronta e agora coloca em risco prédios da região. Agora, o Governo do Rio prepara um projeto para estabilizar o terreno e a obra segue inundada por milhares de litros de água.

Menina dos olhos do Rio 2016, o Boulevard Olímpico parece estar fora da visão da prefeitura. As grades de proteção da pira olímpica, por exemplo, foram roubadas. O ciclista Rafael Prazos é frequentador assíduo da Zona Portuária e reclama da degradação do espaço.

A partir de 2018, a concessionária Porto Novo deixou de administrar o Porto Maravilha, depois que a Caixa Econômica Federal parou de fazer os repasses previstos no contrato da parceria público-privada. O custo mensal era de R$16 milhões. A Prefeitura do Rio assumiu a gestão da área.

Previsto no legado, o tratamento de esgoto da Zona Oeste está longe de ser resolvido. Parte da área está com a Zona Oeste Mais, que vencer a concessão do serviço. No entanto, mesmo após o Governo do Estado privatizar a Cedae, outra parte da região sequer despertou interesse da iniciativa privada.

Para o ambientalista Mário Moscatelli, o legado olímpico foi negligenciado, sobretudo, na bacia de Jacarepaguá.

Outro item que faz parte do legado para a cidade, a ciclovia Tim Maia, desabou matando duas pessoas. A obra custou R$ 45 milhões, mas 75% da via está fechada. O trecho interditado ainda sofre com o roubo de guarda-corpos.

A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto informou que vistoria diariamente a região e, quando constatados problemas, acionam os órgãos municipais para fazer os reparos. A Secretaria de Conservação informou que faz manutenção constante nas ciclovias da cidade.

Nós também procuramos o Governo do Rio, para comentar a situação de superfaturamento nas obras da Linha 4 do metrô, mas ainda não tivemos um posicionamento.

O Tribunal de Contas ressaltou que o valor de quase R$ 4 bilhões, ainda está sujeito a revisão, uma vez que há processos em tramitação, que estão em fase de recurso.

Ouça a reportagem completa clicando no player de áudio.

SOBRE A SÉRIE

A série "De Legado a Largado Olímpico" vai mostrar que, de todos os compromissos assumidos pela Prefeitura do Rio para melhorar a vida da população após os jogos, apenas cerca de 40% dos itens foram cumpridos ou seguem mantidos sem alterações. As três reportagens especiais vão mostrar ainda que, nos últimos anos, o Rio viveu o sonho e a euforia entre a preparação e a realização da Rio 2016, para depois sentir a frustração diante da volta à realidade, já conhecida pelos cariocas no dia a dia.

RESPOSTAS

A Prefeitura informou que o guarda-corpo da ciclovia Tim Maia, no trecho da Barra até a chegada a São Conrado, vai ser substituído por um material sem valor comercial. A nota diz ainda que uma licitação está em curso e deve ocorrer este mês com a previsão da substituição ainda no segundo semestre.

Com relação ao trecho interditado pela Justiça, o comunicado acrescentou que a Geo-Rio realiza estudos e orça custos para uma possível reabertura com segurança dessa parte da estrutura.

Sobre o sistema BRT, a Prefeitura defendeu a revisão do contrato de concessão. A Secretaria Municipal de Transportes vai lançar em agosto uma licitação da bilhetagem eletrônica, que promete trazer mais transparência no modelo de gestão das passagens.

A nota diz ainda que após quatro anos em completa degradação promovida pela gestão anterior, a Prefeitura do Rio iniciou, em março, uma intervenção no sistema BRT. A frota que tinha 120 articulados em operação, atualmente já conta com 190 e a meta é aumentar gradativamente a frota para atingir 241 ônibus até setembro.

O comunicado ainda enfatiza que, desde o início do ano, já foram reabertas 13 estações que estavam inoperantes, sendo quatro desde a intervenção. O comunicado acrescenta que uma nova foi reaberta e que, por isso, ainda restam 41 estações fechadas, mas que até o final de setembro vão ser devolvidas à população.

Por fim, a Prefeitura ressalta que todas essas ações visam recuperar o legado de Transporte que foi negligenciado nos últimos quatro anos e, em sete meses, já apresenta sinais de melhora e soluções para voltar a operar com o êxito de quando foi criado.

Sobre a Linha 4 do Metrô, a Secretaria Estadual de Transportes não se pronunciou.

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