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Nelson Sargento deixa legado na cultura

O cantor não resistiu e morreu nesta quinta-feira (27)

Por Gustavo Sleman, às 16:29 - 27/05/2021

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Apaixonado pelo Vasco, o cantor era um dos torcedores mais ilustres do clube (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Cantor, compositor, artista plástico, ator, escritor e, acima de tudo, apaixonado pela Estação Primeira de Mangueira e pelo Vasco. São muitas as formas de definir Nelson Sargento, mas impossível com palavras explicar a importância dele para a cultura. 

Uma vida inteira dedicada à música. Filho de Rosa Maria, uma empregada doméstica, e Olímpio José de Mattos, um cozinheiro, Nelson Mattos nasceu em 25 de julho de 1924 no Centro do Rio. Uma data que para muitos, como o historiador Sergio Cabral, deveria ser celebrada como feriado nacional.

O primeiro contato com o samba foi no Morro do Salgueiro, para onde se mudou com a mãe, aos 10 anos. Em 1936, foi adotado como afilhado de Alfredo Lourenço, o Alfredo Português.

Foi com o fadista e pintor de paredes que Nelson Sargento passou a frequentar a já extinta Escola Unidos da Mangueira. Ali já dava os primeiros sinais da paixão pelas notas e acordes.

Mas antes de mergulhar de cabeça na música, o artista acumulou muitas outras profissões. Seguindo os passos de Alfredo Português também foi pintor de parede e chegou a trabalhar em uma fábrica de vidros.

Novamente por influência do padrasto e de Carlos Cachaça, passou a integrar a ala de compositores da Mangueira, em 1942. Mas foi em uma rápida passagem pelo Exército, longe do universo dos batuques, que ganhou o "sobrenome" Sargento. 

A relação com a Mangueira sempre foi muito forte, tendo composto diversos sambas da agremiação, como 'Apologia ao Mestre', em 1949. Em 1958 assumiu o comando da Ala de Compositores da agremiação.

Ao lado de Jamelão e Alfredo Português apresentou 'Cântico à Natureza', composição que embalou a Verde e Rosa em 1955. Considerado por fãs e especialistas como um dos 10 melhores sambas da escola e um dos mais belos de todos os tempos, a canção também ficou conhecido por 'Quatro Estações do Ano' e 'Primavera'.

Na década de 60 participou do conjunto A Voz do Morro, ao lado de artistas como Paulinho da Viola, Zé Kéti e Jair do Cavaquinho. Sargento ainda fez parcerias com Darcy da Mangueira e garantiu presença nas rodas de samba do bar Zicartola, tocado por Cartola e sua mulher, Dona Zica.

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Sargento compôs mais de 400 músicas, o que lhe rendeu o apelido de Filósofo do Samba. Entre os maiores sucessos está 'Agoniza Mas Não Morre', música que ressalta a força do samba.

Ao longo da carreira, o sambista também encontrou espaço para desenvolver outras paixões artísticas. Nelson escreveu livros de poesias, contos eróticos e atuou em filmes. Como artista plástico, Nelson teve quadros prestigiados e expostos em locais como Arquivo da Cidade e Museu do Folclore, e também em grandes eventos, como o Rock in Rio.

Apaixonado pelo Vasco, o cantor era um dos torcedores mais ilustres do clube. Quando o Cruz-Maltino comemorou 113 anos, foi convidado para um megashow, onde apresentou a música 'Casaca, Casaca', em que exaltava o amor pelo time. Entre os maiores ídolos dele estavam os atacantes Ademir Menezes e Roberto Dinamite.

Vencedor de diferentes prêmios, Nelson Sargento também foi homenageado com as medalhas Pedro Ernesto e Tiradentes, honrarias entregues pela Câmara Municipal do Rio e a Alerj, respectivamente. Em 2012 e 2015, trocou de lado, sendo ele o tema de sambas enredos da Unidos do Jacarezinho e da Inocentes de Belford Roxo.

Nos últimos anos de vida, apesar da idade avançada, continuava antenado as novidades e com muita disposição. Teve um canal no YouTube e aos 93 anos esteve ao lado do rapper Criolo em uma série de shows que celebraram os 90 anos da Mangueira. 

Quando completou 96 anos em 2020, mais homenagens, com direito a um show em sua janela. Em janeiro deste ano, entrou para a história como um dos primeiros cariocas a receber uma dose da CoronaVac. A segunda aplicação ocorreu em fevereiro.

No mesmo mês fez uma das últimas aparições públicas, ao participar do ato simbólico em defesa do Carnaval, ao lado da estátua de Cartola, em frente ao Museu do Samba.

Nelson foi internado no último dia 20 de maio no Instituto Nacional do Câncer, de onde era paciente desde 2005 quando foi diagnosticado e tratado câncer de próstata.

Na unidade foi realizado o teste de Covid-19, que apontou positivo. O cantor foi encaminhado para a UTI, mas não resistiu e morreu nesta quinta-feira (27). Nelson Sargento deixa nove filhos. O corpo cantor deve ser cremado em cerimônia restrita a família.

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