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Saúde: próximo prefeito deverá enfrentar consequências da pandemia e desafios da atenção primária - Editoriais - Band News FM

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Saúde: próximo prefeito deverá enfrentar consequências da pandemia e desafios da atenção primária

Veja as análises de especialistas e as propostas de cada candidato para a área

Por Pedro Dobal*, às 17:40 - 15/10/2020 | Atualizado às 12:07 - 31/10/2020

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O colapso na saúde ganhou ainda mais destaque com a pandemia de Covid-19 (Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio)

A saúde é um direito fundamental previsto na Constituição, mas o Rio de Janeiro tem assistido a sucessivas crises no setor ao longo dos últimos anos. Antes mesmo da chegada do coronavírus, os cariocas já notavam os sinais de desgaste do sistema.

O colapso na saúde ganhou ainda mais destaque com a pandemia de Covid-19, que deixou mais de 11 mil mortos na capital fluminense. Para o sanitarista da Fiocruz Christovam Barcellos, a continuidade do enfrentamento à doença é um dos principais desafios do futuro prefeito, mas também significa uma oportunidade de aperfeiçoar o sistema.

"O Rio de Janeiro nunca conseguiu organizar plenamente o SUS. O próximo prefeito deve aproveitar essa oportunidade para conseguir mais financiamento, conseguir mais serviços para a população. É a hora de ampliar o serviço de saúde", explica.

A necessidade de investimentos é ainda maior com o aumento da procura pela saúde pública devido ao crescimento do desemprego e da informalidade.

"A gente já tinha uma carência de leitos de terapia intensiva e de enfermaria. A gente já tinha um orçamento que era aquém da nossa necessidade e esse orçamento foi diminuído. Agora temos um aumento da demanda em razão da pandemia e do aumento da vulnerabilidade social", afirma a coordenadora de saúde da Defensoria Pública do Rio, Thaísa Guerreiro.

Outro desafio é o acúmulo de consultas e exames que deixaram de ser realizados durante a pandemia. "Muita gente deixou de ir aos centros de saúde e ambulatórios com medo de de contaminar, o que estava correto. Mas isso provavelmente gerou um acúmulo de centenas de milhares de atendimentos, que vão ter que ser feitos agora no fim do ano e em 2021", diz Christovam Barcellos.

A maioria das propostas dos candidatos está relacionada à atenção primária. Ou seja, o primeiro contato do paciente com o sistema, por meio dos postos e clínicas da família. De acordo com Chrystina Barros, pesquisadora do Centro de Estudos em Gestão de Serviços de Saúde da UFRJ, investir nesse setor é essencial para o diagnóstico precoce das doenças, o que pode representar economia para os cofres públicos.

"A gente precisa dessa atenção primária sob pena de diminuir a expectativa de vida, a qualidade de vida das pessoas e ter mais gastos inclusive com internações, em decorrência da complicação dessas doenças que você pode cuidar, monitorar e fornecer medicamentos”, explica Chrystina.

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Manter ou não o modelo de gestão das unidades por meio de OSs também é uma decisão que cabe ao próximo prefeito. Para Thaisa Guerreiro, as organizações que estamparam as manchetes por suspeitas de corrupção podem ter bom resultado se estiverem sob forte fiscalização: "Esse modelo é considerado constitucional, mas só funciona com uma efetiva fiscalização e um efetivo reforço do controle interno. E ele só funciona também se os repasses forem feitos de forma adequada".

Um problema que atravessa todos os demais é a complexidade do sistema de saúde do Rio, composto por unidades federais, estaduais e municipais. Chrystina Barros explica que essa particularidade exige um bom nível de articulação entre as três esferas de governo.

"Um grande desafio do próximo prefeito é conseguir se alinhar com o governador do estado e o presidente da República. A gente sabe que todas as esferas precisam estar alinhadas e será um desafio manter uma articulação política que dê conta de tratar as questões de forma técnica para que não haja prejuízo para a população", afirma a pesquisadora.

VEJA AS PROPOSTAS DOS CANDIDATOS PARA A ÁREA DA SAÚDE

Bandeira de Mello (Rede)

O candidato afirma que vai retomar o investimento na atenção primária, com a meta de atingir o índice de 70% de cobertura. Bandeira de Mello também propõe a alocação de recursos nos procedimentos mais urgentes ou mais sobrecarregados em relação à fila de espera. Outro projeto é a criação de um grupo multissetorial para promoção de saúde, com representantes de todas as secretarias.

Veja a proposta de governo completa.

Benedita da Silva (PT)

De acordo com a proposta de governo, sua política de saúde será baseada em forte participação social por meio de conselhos e conferências. Seus projetos incluem a ampliação da estratégia de saúde da família e a implantação da Agenda Cidadã, com agendamento de consultas por celular. Benedita da Silva também propõe encerrar gradativamente os contratos com organizações sociais.

Veja a proposta de governo completa.

Clarissa Garotinho (PROS)

A candidata promete reestruturar e ampliar a estratégia de saúde da família, garantindo 100% de cobertura até 2024. Clarissa também propõe maior fiscalização de contratos com organizações sociais, implantação do prontuário eletrônico e criação de um programa de telemedicina voltado para especialidades. O documento também menciona a garantia de tratamento para usuários de drogas.

Veja a proposta de governo completa.

Cyro Garcia (PSTU)

Não tem proposta de governo cadastrada no portal do Tribunal Superior Eleitoral.

Delegada Martha Rocha (PDT)

A candidata promete dar prioridade à atenção básica e ampliar a estratégia de saúde da família. Apresenta um plano de contingência de epidemias por meio da articulação das políticas de saúde às de saneamento básico. A proposta também inclui um plano para melhoria do atendimento, com a implementação de um novo Sisreg e o aperfeiçoamento da relação entre hospitais e unidades básicas. 

Veja a proposta de governo completa.

Eduardo Paes (DEM)

Em seu plano de governo, o candidato propõe a recuperação da infraestrutura e de equipamentos já existentes, como as clínicas da família e as UPAs. Também inclui a saúde em um conjunto de políticas públicas voltadas especificamente para as mulheres. Em sua página na internet, Paes ainda menciona a recontratação de profissionais da saúde e a redução do tempo de espera para consultas.

Veja a proposta de governo completa.

Fred Luz (Novo)

No documento, o candidato diz que é possível melhorar o atendimento por meio de “gestão, tecnologia e tolerância zero com a corrupção”. Fred Luz sugere o controle centralizado de compras, com o objetivo de eliminar aquisições em excesso ou com preços elevados. Outras propostas são integração do prontuário eletrônico e maior transparência no Sisreg, com possibilidade de adoção da telemedicina.

Veja a proposta de governo completa.

Glória Heloiza (PSC)

O resgate do Programa Saúde da Família, com a recontratação de agentes comunitários de saúde, é uma das promessas da candidata. Glória Heloiza também propõe a realização de auditoria nos contratos da Secretaria Municipal de Saúde, a gestão direta de unidades de alta complexidade e o uso de parcerias público-privadas, como as OSs, apenas na rede de baixa e média complexidade.

Veja a proposta de governo completa.

Henrique Simonard (PCO)

A proposta de governo do PCO foi definida em conferência nacional e é a mesma para todos os candidatos a prefeituras. Na área da saúde, o documento menciona a defesa da descriminalização do aborto e a gratuidade dos serviços e produtos que se relacionem com a maternidade. O texto também critica a privatização da saúde e defende o atendimento gratuito a toda a população.

Veja a proposta de governo completa.

Luiz Lima (PSL)

O candidato promete ampliar a capacidade de atendimento de clínicas de saúde da família, UPAs e CAPs. A proposta de governo também prevê a construção de clínicas em terrenos públicos ociosos. Luiz Lima ainda propõe a contratação de profissionais de saúde e a criação de um gabinete para coordenar ações conjuntas com o Governo do Estado e o Governo Federal.

Veja a proposta de governo completa.

Marcelo Crivella (Republicanos)

O atual prefeito sugere a transformação do Hospital Ronaldo Gazolla em um Complexo Especializado em Saúde, a integração dos sistemas de saúde do município e a ampliação de leitos de UTI Adulto em 50%. Outra proposta é aumentar a oferta de consultas médicas por meio de parceria com consultórios privados.

Veja a proposta de governo completa.

Paulo Messina (MDB)

Não tem proposta de governo cadastrada no portal do Tribunal Superior Eleitoral.

Renata Souza (PSOL)

Em seu plano de governo, Renata Souza promete ampliar os recursos destinados à saúde. A candidata afirma que vai fortalecer a atenção primária e recuperar clínicas de saúde da família, além de modernizar a rede de urgência e emergência e acabar com as filas de espera por consultas e exames. Para isso, sugere o aperfeiçoamento dos sistemas de regulação de leitos.

Veja a proposta de governo completa.

Suêd Haidar (PMB)

No documento apresentado ao TSE, Suêd Haidar menciona o “diagnóstico do Sistema Único de Saúde” e a promoção de segurança sanitária. As propostas estão incluídas no tópico relacionado à promoção do bem-estar socioeconômico.

Veja a proposta de governo completa.

*Estagiário sob supervisão de Isabele Rangel

Ouça a reportagem completa clicando no player de áudio.

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